Na última quinta-feira, 29 de janeiro, Curitiba foi palco de mais uma noite que entrou para a memória recente dos fãs de rock e hardcore. Os americanos do A Day to Remember retornaram à capital paranaense para um show intenso, catártico e, acima de tudo, generoso. A apresentação, realizada na Live Curitiba, contou com o maior setlist recente da banda, reforçando a boa relação construída ao longo dos anos com o público brasileiro.
Formada em 2003, na cidade de Ocala, Flórida, a banda é hoje composta por Jeremy McKinnon (vocais), Neil Westfall (guitarra), Kevin Skaff (guitarra) e Alex Shelnutt (bateria). Ao longo de mais de duas décadas de carreira, o A Day to Remember construiu uma identidade própria ao mesclar peso, melodias grudentas e letras que falam diretamente com uma geração inteira. Esse pacote, que transita entre o pop punk, o metalcore e o hardcore melódico, continua funcionando com força total — e Curitiba foi mais uma prova disso.
A última passagem do grupo pela cidade havia sido em 2024, durante o I Wanna Be Tour, quando dividiram o lineup com outras bandas e conseguiram conquistar até mesmo quem não os conhecia tão bem. Agora, em show solo, o reencontro teve um clima diferente: mais próximo, mais intenso e com a sensação clara de que banda e público já falam a mesma língua.
A turnê brasileira do A Day to Remember previa inicialmente cinco apresentações, sendo três shows solo e dois ao lado do Avenged Sevenfold. No entanto, o show de Belo Horizonte acabou cancelado por motivos de força maior, causados por um problema logístico relacionado a uma nevasca histórica nos Estados Unidos, que impactou o deslocamento da equipe.
Mesmo com o cancelamento, a agenda seguiu com força total nas demais cidades:
Shows do A Day to Remember no Brasil
27/01: BeFly Hall (Belo Horizonte) – cancelado
29/01: Live Curitiba (Curitiba)
31/01: Allianz Parque (São Paulo) – com Avenged Sevenfold
03/02: KTO Arena (Porto Alegre)
Em Curitiba, o contexto era curioso. Um dia antes, o Avenged Sevenfold havia se apresentado na Pedreira Paulo Leminski, o que naturalmente impactou o público presente na Live. Ainda assim, ficou claro que boa parte da plateia optou por viver as duas experiências: fãs fiéis do A Day to Remember dividiram espaço com pessoas que haviam assistido ao show da Pedreira e resolveram emendar mais uma noite de peso.
A casa não estava completamente cheia — a pista foi reduzida e o terceiro andar do mezanino permaneceu fechado —, mas o público presente mostrou desde cedo que estava disposto a compensar qualquer número com entrega. O show estava marcado para 21h, começou com poucos minutos de atraso e, logo na introdução clássica de “The Downfall of Us All”, a Live Curitiba já parecia pequena demais para a energia que se espalhava pelo local.
O primeiro riff foi suficiente para transformar a pista em um grande coro coletivo. Era impossível não perceber o quanto aquelas músicas fazem parte da vida de quem estava ali. Sem longos discursos ou pausas excessivas, a banda optou por uma postura direta: falar pouco e tocar muito. E funcionou perfeitamente.
A sequência inicial manteve o ritmo alto, com “I’m Made of Wax, Larry, What Are You Made Of?”, “Right Back at It Again” e “2nd Sucks”, criando um bloco pesado e agressivo que colocou a plateia em movimento constante. O som estava bem ajustado, com destaque para a bateria precisa de Alex Shelnutt e a presença vocal impecável de Jeremy McKinnon, que alternava entre gritos e melodias com naturalidade impressionante.
Ao longo da noite, o setlist se mostrou extremamente equilibrado, contemplando diferentes fases da carreira da banda. Faixas mais recentes dividiram espaço com clássicos absolutos, mantendo tanto os fãs mais antigos quanto os mais novos igualmente envolvidos. “Bad Blood”, “Make It Make Sense”, “Paranoia” e “Miracle” mantiveram o peso em alta, enquanto músicas como “Have Faith in Me”, “If It Means a Lot to You” e “Closer Than You Think” trouxeram momentos mais emocionais, com celulares erguidos e vozes se sobrepondo à da banda.
Um dos pontos altos da noite foi, sem dúvida, a execução de “NJ Legion Iced Tea”, atendendo ao pedido de um fã. A música foi tocada pela primeira vez na América Latina, o que gerou uma reação imediata de surpresa e euforia no público. Pequenos momentos como esse ajudam a explicar por que o A Day to Remember mantém uma relação tão próxima com seus fãs: há uma troca real, genuína, que vai além do roteiro tradicional de um show.
O set contou com 22 músicas, reforçando o caráter especial da apresentação em Curitiba. Canções como “All I Want”, “The Plot to Bomb the Panhandle”, “Monument” e o encerramento com “All Signs Point to Lauderdale” garantiram que ninguém saísse dali sem a sensação de missão cumprida — tanto do lado da banda quanto do público.
Setlist – Curitiba (29/01):
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The Downfall of Us All
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I’m Made of Wax, Larry, What Are You Made Of?
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Right Back at It Again
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2nd Sucks
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Bad Blood
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Make It Make Sense
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Paranoia
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Miracle
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Mr. Highway’s Thinking About the End
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All My Friends
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Have Faith in Me
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Flowers
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LeBron
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NJ Legion Iced Tea
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Resentment
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Silence
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All I Want
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The Plot to Bomb the Panhandle
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If It Means a Lot to You
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Closer Than You Think
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Monument
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All Signs Point to Lauderdale
Ao final do show, o sentimento era unânime. Mesmo ainda imersos no êxtase da apresentação, muitos fãs já pediam, em coro, que a banda não demorasse tanto para voltar a Curitiba. E, se depender da recepção calorosa da noite, o A Day to Remember sabe exatamente onde encontrar um público que os espera de braços abertos.
Foi um show intenso, honesto e memorável — daqueles que reforçam por que algumas bandas conseguem atravessar gerações sem perder relevância. Em Curitiba, o A Day to Remember não apenas entregou um grande espetáculo, como também reafirmou o vínculo forte e duradouro com seus fãs brasileiros.
Foto: Mariana Loup @criativaemchamas


