Angus Young e o Legado do AC/DC: Desafios e Triunfos no Rock

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Atualizado em 23/04/2026

Angus Young: Um Olhar Reluzente sobre a Trajetória do AC/DC

*Por Bill Crandall | Em 1973, no coração da Austrália, uma das bandas mais icônicas do rock mundial começou sua jornada. O AC/DC foi criado com a intenção audaciosa de unir a energia vibrante de Little Richard com a vibração inconfundível dos Rolling Stones. No entanto, optaram por um som mais encorpado. Angus Young, célebre por seu inconfundível traje escolar e responsável pelo popular headbanging, lidera com maestria uma banda que se empenha em manter a intensidade em cada música que produz.

Desafios e Imortalidade no Rock

Nem sempre a caminhada foi tranquila para o AC/DC. Em 1980, no momento em que o grupo estava prestes a conquistar o mercado norte-americano com o estrondoso sucesso de Highway to Hell (1979), a tragédia bateu à porta com a morte do vocalista Bon Scott. Ele faleceu tragicamente ao aspirar seu próprio vômito após uma noite de excessos. Em 2003, durante a comemoração da entrada da banda no Rock and Roll Hall of Fame, Angus relembrou a encruzilhada que enfrentou com seu irmão, o guitarrista base Malcolm Young. Eles decidiram, com determinação inabalável, continuar no caminho do rock.

A Surpresa do Rock and Roll Hall of Fame

Como vocês descobriram sobre sua entrada para o Rock and Roll Hall of Fame?
Angus Young:
A notícia chegou a mim através de um telefonema de um amigo: “Vocês entraram!” Brinquei: “O quê? Estão recrutando baixinhos no exército agora?” Isso se deu logo pela manhã, e minha reação inicial foi pensar que estávamos em guerra. Uma ideia meio absurda, mas bem-humorada – afinal, caberiam mais pequeninos num tanque.

Quando você começou essa banda, conseguia imaginar que um dia haveria um Rock and Roll Hall of Fame e você um dia faria parte dele?
AY: Jamais pensei que teríamos algum papel na história. No início, nossa preocupação era apenas com o presente: tocar um show hoje, ganhar nosso dinheiro e planejar o próximo. Nunca sonhamos que passaríamos do primeiro verão.

A Força Duradoura dos Fãs

Qual você acha que é a chave para vocês estarem na ativa tantos anos depois?
AY: O sucesso contínuo certamente se deve aos nossos fãs. Eles parecem desfrutar cada momento mais do que nós mesmos, e essa energia nos impulsiona. Ver a alegria deles em nossos shows é como encontrar um par de sapatos velhos e confortáveis.

Qual você acha que seria a reação de Bon para essa história toda de Rock and Roll Hall of Fame?
AY: Ele teria gargalhado e brindado. Com seu humor característico, diria: “Ei, por uma cerveja grátis, faço qualquer coisa!”

Superando a Perda de Bon Scott

Como vocês conseguiram continuar após a morte dele?
AY: Bon era um frontman único e carismático, amado por todos nós. Sabíamos que sua ausência jamais poderia ser preenchida. Malcolm, meu irmão, sugeriu que continuássemos trabalhando nas gravações em andamento. Isolamo-nos, desligamos os telefones e nos dedicamos a finalizar o que havíamos começado. No entanto, percebemos a necessidade de um novo vocalista. Foi difícil aceitar, mas essencial.

Como vocês encontraram Brian Johnson?
AY: Anos antes de perdermos Bon, ele nos falou sobre Brian Johnson. Recordou-se de uma apresentação em Londres, onde Brian interpretou Little Richard magnificamente. Quando o conhecemos, Brian lembrou-se do show apesar de estar acometido por uma apendicite na ocasião. [Risos.]

Identidade e Herança Musical do AC/DC

Se eu nunca tivesse escutado AC/DC antes, como você descreveria a banda?
AY: Compararia a banda a um furacão devastador na Flórida. [Risos.] O fenômeno do headbanging se espalhou, e é comum ver pessoas e até garotas nas telas da TV imitando essa ação. Elas fazem isso de forma encantadora. [Risos.]

Quais músicas do AC/DC que, quando você ouve hoje em dia, ainda não mudaria uma nota sequer?
AY: “Back in Black” é um clássico intocável. Originou-se de um riff que Malcolm tocou durante a turnê de Highway to Hell. “Highway to Hell” também é uma composição especial que surgiu quase por acaso durante um período em que estávamos sem recursos em Miami.

A Parceria Fraternal entre Angus e Malcolm

Fale sobre seu relacionamento com Malcolm.
AY: Na infância, brigávamos como qualquer par de irmãos, mas a música nos uniu. Malcolm costumava me expulsar de seu quarto, temendo que eu roubasse suas ideias. No entanto, no AC/DC, mostramos um verdadeiro trabalho de equipe. Sempre dizíamos que juntos tocávamos como um único músico.

Como calhou de você ser o guitarrista solo e ele base?
AY: Ambos fazíamos solos, mas Malcolm me incitava a fazê-los, alegando que solos atrapalhavam sua bebida [Risos]. Ele me empurrava para a frente do palco, sabendo que o público queria ver um show enérgico, algo que eu estava disposto a oferecer.

Você planeja tocar no AC/DC até cair duro?
AY: Não pretendo tocar até não aguentar mais. Quero evitar subir ao palco com algum tipo de limitação física.

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O post A entrevista em que Angus Young revisita a história do AC/DC surgiu inicialmente na Rolling Stone Brasil.

Créditos das fotos:
Fin Costello Redferns via Getty

Fonte: Rolling Stone Brasil