Lucifer traz o peso dos anos 70 ao Basement Cultural

Lucifer é uma daquelas bandas recentes (formada em 2014) que te faz pensar: “Por que caralhos ninguém fez isso antes?”. Quando conheci a banda em meados de 2018, virou facilmente um dos meus maiores vícios, principalmente pelo álbum Lucifer II.
A história da banda, aliás, nasce das cinzas. Após o fim repentino do The Oath, a vocalista alemã Johanna Sadonis não perdeu tempo e fundou o Lucifer, inicialmente com uma pegada muito mais voltada ao Doom Metal tradicional. Com o passar dos anos e a entrada de Nicke Andersson (The Hellacopters, Entombed), a sonoridade evoluiu para esse Rock setentista clássico e cativante que conhecemos hoje.
Apesar de já terem vindo ao Brasil duas vezes, uma em 2022 no Fabrique Clube (onde tive o imenso prazer de assisti-los pela primeira vez) e outra em 2024, ambas em São Paulo a banda era figurinha difícil por aqui. Porém, com o show marcado no Bangers Open Air, abriu-se a oportunidade para uma turnê por mais seis cidades, incluindo, obviamente, Curitiba, onde o Partiu Rolê marcou presença!
Apesar das reformulações ao longo dos anos, o lineup atual demonstra uma sintonia que poucas bandas conseguem manter no palco.
Com o Basement relativamente lotado, o show começou pontualmente às 20h com “Anubis”, single de 2015, mostrando que as raízes da banda continuam vivas no setlist. Johanna Sadonis, a figura central do grupo, entregou uma performance ótima com seus cabelos ao vento, mesmo sob o calor do Basement Cultural, casa já carimbada no underground curitibano por abrigar desde o Reggae até o Black Metal mais extremo.
A sequência seguinte foi uma trinca interessante: “Ghosts”, “Crucifix (I Burn For You)” e “Riding Reaper” seguiram exatamente a ordem de lançamento dos álbuns Lucifer III, IV e V. Entre uma canção e outra, Johanna e os músicos interagiam com o público, chegando a responder pedidos de fãs que clamavam por músicas fora do repertório planejado. Mas o grande momento da noite ficou para a reta final. A banda emendou “California Son” (provavelmente seu maior hit) com “Bring Me His Head” e um cover incrível de “Goin’ Blind”, do lendário Kiss. O encerramento veio com a melhor faixa do álbum novo, na minha humilde opinião: “Fallen Angel”, com um breve momento de “bença” da prórpia Johanna para o público Curitibano.
Lucifer é a prova viva de que mesmo nos tempos modernos, ainda existem bandas com uma ótima identidade, mesmo se inspirando nas bandas mais clássicas. Esperamos que a banda volte novamente, mas trazendo um repertório maior.
Setlist:
-
Anubis
-
Ghosts
-
Crucifix (I Burn For You)
-
Riding Reaper
-
Wild Hearses
-
Lucifer
-
At the Mortuary
-
Slow Dance In a Crypt
-
The Dead Don’t Speak
-
California Son
-
Bring Me His Head
-
Goin’ Blind (Kiss cover)
-
Fallen Angel
