A banda britânica Bush retornou ao Brasil para uma série de apresentações dentro da “LOADED: The Greatest Hits Tour”, incluindo um show na Ópera de Arame, em Curitiba. A turnê, que celebra os sucessos da banda ao longo de sua carreira, prometia momentos ímpar para os fãs do grunge e do rock alternativo dos anos 90. O show entregou o esperado: uma sequência de clássicos e algumas canções menos conhecidas, sem grandes surpresas ou inovações e genérico.
A apresentação começou com “Everything Zen”, um dos primeiros sucessos do álbum de estreia “Sixteen Stone” (1994). A energia foi evidente desde o início, especialmente por parte do baterista Nik Hughes, que imprimiu um ritmo forte e preciso.
O vocalista Gavin Rossdale também tentou manter o entusiasmo, se movimentando bastante no palco, conversando e tocando os fãs presentes. No entanto, já na primeira música ficou claro que a equalização do som estava desequilibrada: a guitarra de Chris Traynor soava excessivamente alta e encobria a voz de Rossdale.
Esse problema já havia ocorrido na recente apresentação da banda no Lollapalooza Brasil e parece ser um aspecto recorrente da turnê. Durante “Machinehead”, Rossdale entregou um dos grandes sucessos, com todos os presentes cantando e pulando, demonstrando emoção por estarem ali. A melhora veio gradativamente, mas a voz do vocalista permaneceu um pouco abafada em alguns momentos.
Gavin Rossdale: Carisma e Limitações Vocais
Rossdale, aos 58 anos, continua sendo um frontman carismático, interagindo com o público e se movendo por todo o palco. Como de costume, ele fez seus gestos característicos e, em determinado momento, tocou guitarra deitado no chão, um truque que os fãs mais antigos já esperavam. Durante “Quicksand”, ele desceu do palco e caminhou entre o público, repetindo a interação que já havia feito em outras apresentações da turnê.
Apesar da energia e da boa presença de palco, sua voz mostrou algumas limitações, especialmente nas partes mais altas das canções como Glycerine. Em “Swallowed”, uma das mais esperadas da noite, ele optou por uma execução mais contida, deixando que o público completasse os versos. No Lollapalooza, isso já havia ficado evidente, com fãs notando sua falta de fôlego em momentos mais exigentes.
Setlist: Nostalgia e Algumas Apostas Menos Conhecidas
A setlist foi predominantemente nostálgica, recheada dos maiores sucessos da banda. Além das já mencionadas “Everything Zen”, “Machinehead” e “Swallowed”, o público vibrou com “The Chemicals Between Us”, “Little Things”, “Glycerine” e “Comedown”, que fechou a noite com uma resposta entusiasmada da plateia.
Apesar de serem boas composições, a maioria dos presentes estava claramente lá para ouvir os hits dos anos 90. No Lollapalooza, o Bush enfrentou um dilema similar: enquanto sucessos como “Glycerine” mobilizavam o público, as faixas mais recentes eram recebidas com menor empolgação.
Outro ponto interessante foi a ausência de covers. Em outros shows da turnê, a banda incluiu versões de “Come Together”, dos Beatles, mas em Curitiba a apresentação foi totalmente focada no repertório próprio.
Iluminação e Cenário Simples
O Bush optou por um palco diferenciado do que é comum ver na Ópera de Arame, com uma iluminação sincronizada com os instrumentos e o baterista destacado em uma plataforma elevada. Isso ficou evidente já no início do show, quando luzes azuis, brancas e vermelhas piscavam intermitentemente. Esse aspecto contribuiu para uma experiência mais direta e crua, que agradou aos fãs.
O show na Ópera de Arame, assim como a outras apresentações da tour, levantou uma questão inevitável: qual o lugar do Bush na cena musical atual? Nos anos 90, a banda vendeu milhões de discos e dominou as paradas com seu grunge acessível e melódico. Hoje, sua relevância parece estar mais atrelada à nostalgia do que a uma produção musical inovadora.
Ainda assim, é inegável que o público que compareceu à Ópera de Arame queria exatamente isso: reviver um período marcante de sua juventude e cantar junto os clássicos que marcaram época. E, nesse aspecto, o Bush cumpriu seu papel. O público, em sua maioria composto por pessoas que acompanham a banda desde os anos 90, saiu satisfeito.
A apresentação do Bush em Curitiba foi um show seguro, sem grandes riscos. Quem buscava um espetáculo inesquecível pode ter saído um pouco decepcionado, mas aqueles que queriam apenas ouvir os hits da banda ao vivo tiveram seu desejo atendido.
A performance teve momentos de energia pelo líder da banda, como “Machinehead” e “Little Things”, e momentos mais emocionantes, como “Glycerine” e “Swallowed”.
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O Bush continua na estrada e se apresenta hoje (2) no Vivo Rio, no Rio de Janeiro, levando seus sucessos a um público fiel. Pode não ser mais uma das bandas de maior relevância do rock, mas ainda tem seu espaço garantido no coração dos fãs que cresceram ouvindo suas músicas.
Fotos por Anderson Olsen – @oandersonolsen