Bienal Internacional de Curitiba apresenta exposição Camuflagens no MAC Paraná de junho a novembro
A partir de 14 de junho, a 16ª Bienal Internacional de Curitiba apresenta a exposição internacional “Camuflagens” no MAC Paraná no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba. Com curadoria de Royce W. Smith, decano da Faculdade de Artes da California State University, Long Beach, a mostra coletiva ocupa a Sala 9 do museu até 15 de novembro de 2026.
Reunindo artistas de diferentes países e áreas como pintura, instalação, fotografia, vídeo e inteligência artificial, “Camuflagens” investiga os limites entre verdade, percepção e ocultamento em um mundo impactado por tecnologias digitais, crises e o excesso de imagens. A exposição integra o eixo temático complementar ao “LIMIARES”, tema central da Bienal deste ano.
Investigação sobre visibilidade, realidade e sobrevivência
“Camuflagens” propõe uma reflexão sobre as fronteiras entre o visível e o invisível, o real e o fabricado. Os artistas convidados articulam linguagens múltiplas para discutir estratégias contemporâneas de adaptação e sobrevivência diante das transformações sociais, culturais e tecnológicas.
No texto curatorial da exposição, Royce W. Smith destaca:
“A camuflagem tornou-se um mecanismo de enfrentamento fundamental para as mudanças sociais, culturais, econômicas e tecnológicas, rápidas e inesperadas, e um meio de encontrar estabilidade em um mundo cada vez mais marcado por mudanças e convulsões.”
A proposta é abordar a camuflagem não apenas como recurso visual tradicional da arte ou da natureza, mas como metáfora política e existencial, atravessando referências históricas do trompe l’oeil renascentista aos surrealistas. A mostra também lança olhar sobre as relações entre arte, guerra, tecnologia e natureza diante do fenômeno atual das fake news, vigilância digital e algoritmos que influenciam a percepção cotidiana.
Smith observa no texto curatorial:
“A verdade e a realidade são, na prática, montagens de inúmeras e infinitas suposições”.
Destaques: Thiago Martins de Melo explora religiosidade afro-brasileira e IA
Entre os destaques da exposição está o artista maranhense Thiago Martins de Melo. Sua produção atravessa pintura, instalação, vídeo e linguagens digitais com investigações ligadas ao sincretismo religioso, colonialismo, espiritualidade e disputas territoriais.
Thiago comenta:
“Eu não separo minha produção da minha vida. Meu trabalho surge justamente das tensões do mundo, da minha luta política e das experiências que atravessam minha existência”.
Nesta edição da Bienal Internacional de Curitiba ele apresenta obras que articulam religiosidade afro-brasileira com inteligência artificial e sistemas oraculares digitais. Um dos trabalhos inéditos utiliza IA interativa para criar uma espécie de oráculo contemporâneo baseado em processos algorítmicos chamados de “alucinação”. Segundo o artista:
“A gente vai provocar a ideia da inteligência artificial como divindade e oráculo do mundo contemporâneo”.
Pintura como resistência: Ricky Allman aborda futuros distópicos
A exposição também conta com participação do artista norte-americano Ricky Allman. Suas pinturas combinam abstração com figuração em cenários que discutem colapsos ambientais, tensões políticas globais e futuros distópicos.
Allman afirma:
“Meu trabalho é uma resposta direta aos acontecimentos contemporâneos. O medo diante da crise climática, da ascensão do fascismo e do declínio do capitalismo acaba sendo expresso nas minhas pinturas sobre o futuro”.
No contexto atual de controle digital crescente, Allman vê na própria ideia de camuflagem uma estratégia vital:
“Torna-se existencialmente necessário atravessar o mundo sem ser percebido pelos sistemas autoritários de vigilância”.
O artista ainda defende a permanência da pintura frente à velocidade das imagens digitais:
“A pintura desacelera o olhar. Ela continua sendo uma das maneiras mais diretas, honestas e satisfatórias de expressar visualmente nosso universo interior”.
Painel internacional: artistas participantes ampliam discussões sobre identidade e tecnologia
A mostra reúne nomes representativos em diferentes geografias culturais — incluindo Paulo Nazareth, Regina José Galindo, Marcos Ramírez ERRE, Julia Isidrez e Abel Barroso — consolidando um panorama internacional que atravessa debates sobre identidade, poder político-social contemporâneo, memória coletiva e as mudanças trazidas pela tecnologia na percepção humana.
- Abel Barroso
- Alejandro Sánchez
- Ángel Poyón
- Barton Lidice Benes
- Bill Burns
- Christopher Miles
- Daniel Han
- Diego Masi
- Fidel Fernández
- Fernando Poyón
- Glenda Salazar
- Gonzalo García
- Guillermo Srodek-Hart
- Javier Calvo Sandí
- Javier Vanegas
- Jason Shulman
- Julia Isidrez
- Ledania
- Levente Sulyok
- Lilian Camelli
- Mabilón Jiménez
- Marcos Ramírez ERRE
- Paulo Nazareth
- Prospex Park
- Regina José Galindo
- Ricky Allman
- Tavin Davis
- Thiago Martins de Melo
- Toni Graton
A trajetória da Bienal Internacional de Curitiba desde 1993
Criada em 1993, a Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba ocupa espaços como museus públicos — caso do MON — galerias privadas ou abertas à população geral. O evento é considerado um dos principais encontros artísticos da América Latina voltados à arte contemporânea.
A programação envolve exposições coletivas ou individuais com produções locais ou internacionais; performances; instalações; ações educativas; debates; programas formativos; além do estímulo ao diálogo entre artistas convidados brasileiros ou estrangeiros. Ao longo das edições anteriores já participaram nomes como Marina Abramović, Julio Le Parc, Louise Bourgeois e Cildo Meireles.
A última edição presencial reuniu mais de um milhão de visitantes na capital paranaense.
Bastidores institucionais: realização compartilhada entre esferas públicas federais e estaduais
A 16ª edição conta com realização do Ministério da Cultura (Governo Federal – Do lado do povo brasileiro), Museu Oscar Niemeyer (MON), MAC Paraná (Museu de Arte Contemporânea), Paraná Festival – Secretaria Estadual da Cultura (SEEC) – Governo do Paraná.
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Serviço
- Data:: 14/06/2026 a 15/11/2026
- Tema central:: LIMIARES / Exposição “Camuflagens”
- Núcleo expositivo:: Sala 9 – MAC Paraná no Museu Oscar Niemeyer
- endereço digital oficial:: – Site oficial: http://16bienaldecuritiba.org – Programação paralela: http://www.curitibaartweek.com
Foto por Divulgação.