Cidades da Região Metropolitana de Curitiba Falham em Planos Climáticos

Atualizado em 24/04/2026
Cidades da Região Metropolitana de Curitiba e a Ausência de Planos Climáticos
Na Região Metropolitana de Curitiba, municípios como São José dos Pinhais e Piraquara, ainda se recuperando dos efeitos devastadores de um tornado F2 ocorrido no início do ano, enfrentam críticas pela falta de estratégias de adaptação às mudanças climáticas. Este fenômeno climático extremo, que trouxe ventos acima de 180 km/h e atingiu mais de 350 residências, deixaram 1,2 mil pessoas impactadas, revela um desafio urgente de planejamento para estas cidades.
Classificação de Transparência e Governança Pública
Um estudo da Transparência Internacional, que avaliou a gestão climática de várias cidades da região, incluiu São José dos Pinhais e Piraquara em sua lista de municípios com desempenho “ruim”. Apenas Curitiba recebeu uma nota “bom”, enquanto dez das 14 cidades analisadas foram consideradas deficientes em termos de gestão climática. Almirante Tamandaré recebeu uma classificação “regular”, mas Balsa Nova e Colombo foram consideradas “péssimas”. Este levantamento destacou a carência de planos estruturados para lidar com a crescente frequência e intensidade dos eventos climáticos extremos.
Dificuldades na Implementação de Planos Climáticos
Carolina Efing, advogada e membro da Rede Curitiba Climática, enfatiza que a maioria das cidades brasileiras, incluindo estas, ainda não seguem a Lei Federal nº 14.904/2024, que orienta a criação de planos de adaptação às mudanças climáticas. Ela explica que esses planos são vitais para mitigar riscos futuros. Em resposta, a Prefeitura de São José dos Pinhais comunicou que planeja realizar estudos técnicos para criar diretrizes climáticas. Já Piraquara se encontra na fase de implementar um Fundo Municipal para Calamidades Públicas para facilitar o acesso a recursos estaduais.
O Papel da Resiliência Climática
Efing também destaca que, embora a legislação federal não imponha penalidades, as cidades sem planos de adaptação climática perdem acesso a financiamentos cruciais para enfrentar mudanças climáticas. Os eventos extremos, como tornados e inundações, se tornaram cada vez mais comuns no Paraná, reforçando a necessidade premente de recursos para preparar e proteger estas regiões. As cidades precisam urgentemente de estratégia para promover maior resiliência contra esses desastres naturais.
A Perspectiva de Especialistas e Iniciativas Locais
Francisco Mendonça, climatologista da Universidade Federal do Paraná, observa que tornados e outros fenômenos extremos se tornaram frequentes no estado, refletindo as realidades das mudanças climáticas. Desde 1970, o Paraná já experimentou 131 tornados. Este aumento na frequência exige uma coordenação eficaz entre o poder público e as comunidades locais para aumentar a capacidade de resposta e reduzir danos futuros.
Ações Locais em São José dos Pinhais e Piraquara
A Prefeitura de São José dos Pinhais está avançando em iniciativas como a implantação de um Plano Municipal de Arborização e a revisão do Plano Diretor, focando em melhorias na infraestrutura urbana e na promoção de áreas verdes. Enquanto isso, Piraquara, paralelamente ao desenvolvimento de seu Fundo de Calamidades, segue realizando melhorias estruturais, como drenagem urbana e limpeza de canais, com vistas a reduzir os riscos de alagamentos.
A falta de planos formais ainda é um obstáculo, mas as prefeituras estão se movendo em direção a uma abordagem mais sustentável e resiliente. Com um cenário de mudanças climáticas criando desafios adicionais, reforçar e implementar estratégias robustas é crucial para o futuro da região.
Reprodução
Fonte: g1 > Paraná