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Desafios do Caruru Gigante nas Lavouras de Soja e Milho no Brasil

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O Desafio do Caruru Gigante nas Lavouras de Soja e Milho

O caruru gigante, também conhecido como Amaranthus palmeri ou caruru-palmeri, é uma planta invasora que tem causado grande preocupação entre os agricultores brasileiros. Capaz de reduzir drasticamente a produtividade de cultivos importantes como soja e milho em até 90%, essa espécie tem variedade resistente a diferentes tipos de agrotóxicos. Inicialmente localizada nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, recentemente foi detectada em áreas agrícolas de São Paulo e Santa Catarina, ampliando o alerta entre produtores e especialistas em controle de pragas.

Estratégias de Controle e Seus Desafios

Diante da ameaça representada pelo caruru gigante, muitos agricultores têm adotado a estratégia de aumentar a quantidade e a frequência de aplicação de agrotóxicos. Porém, especialistas em agronomia alertam para a ineficácia deste método a longo prazo, ressaltando que tal prática pode ainda aumentar a presença de plantas resistentes. Além disso, o uso intensivo de químicos não só eleva os custos de produção, mas também gera riscos significativos ao ambiente e à saúde humana. Leandro Tropaldi, professor da Universidade Estadual Paulista e diretor da Sociedade Brasileira da Ciência para Plantas Daninhas, destaca que o controle químico deveria ser a última opção na lista de métodos de defesa contra essas ervas daninhas.

O Crescimento da Resistência nas Plantas Invasoras

Nos últimos anos, há uma evidente ampliação no número de espécies de plantas que desenvolvem resistência a herbicidas no Brasil. Segundo dados do Levantamento Internacional de Ervas Daninhas Resistentes a Herbicidas, mantido pelo Comitê de Ação contra a Resistência a Herbicidas, o número de casos aumentou de 39 para 61, com 31 espécies diferentes sendo identificadas. Este fenômeno, muitas vezes intensificado pelo uso repetido de um mesmo tipo de herbicida sem rotação de culturas ou outras técnicas, torna o manejo ainda mais complicado.

A resistência do caruru gigante ao glifosato, um dos herbicidas mais usados no Brasil, se deve a alterações genéticas que anulam a eficácia do produto. Este tipo de resistência é apenas um exemplo de como a seleção pelo uso contínuo de pesticidas pode levar ao surgimento de ervas daninhas cada vez mais difíceis de serem controladas.

Impacto Econômico e Medidas de Combate

O impacto econômico dessa resistência é significativo. O custo de produção por hectare pode aumentar substancialmente, em parte devido ao aumento na necessidade de herbicidas alternativos e também por causa da perda de produtividade. Em resposta, o Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil classificou o caruru gigante como uma “praga quarentenária” em 2018 e implementou um programa específico de combate à sua proliferação em 2024. Este programa delineia ações que os agricultores devem seguir caso a planta seja identificada em suas propriedades.

Enquanto isso, o caruru gigante continua a se espalhar, agora presente também em São Paulo e Santa Catarina. Embora os casos nestes estados sejam atualmente pontuais, as autoridades de monitoramento agrícola permanecem vigilantes. Especialistas, como Paulo Brack da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, enfatizam a necessidade de revisão dos modelos de monocultura que predominam no país, sugerindo que essa abordagem agrícola pode contribuir para o surgimento e a disseminação de ervas daninhas resistentes.

A mitigação da disseminação do caruru gigante demanda uma abordagem integrada que vá além do mero uso de pesticidas, enfatizando métodos preventivos e um manejo diversificado. O incentivo à rotação de culturas e práticas de proteção do solo são parte das soluções propostas por pesquisadores e agrônomos. A conscientização de que o controle químico não deve ser a única estratégia é crucial para evitar uma crise ainda maior nas áreas agrícolas do Brasil.

Créditos das fotos:
Governo federal instituiu 2024 programa nacional controle caruru-palmeri, tambémconhecido como caruru gigante (Foto: Divugação/MAPA)

Fonte: Repórter Brasil