Ricardo Faria e Suas Operações Agrícolas em Área Embargada no Piauí
Ricardo Faria, figura conhecida no setor de agronegócios brasileiro e apelidado de “Rei do Ovo”, é o controlador da INSOLO, uma empresa voltada para o cultivo de grãos. A companhia está envolvida em uma situação controversa, operando em uma área que atualmente enfrenta um embargo ambiental no sul do estado do Piauí. De acordo com o portal de transparência ambiental local, essa região é crítica em termos de preservação. A notoriedade de Faria como um dos homens mais ricos do Brasil, com um patrimônio calculado pela revista Forbes em cerca de R$ 17,5 bilhões em 2025, só intensifica a atenção a esse caso.
Operações na Região do Matopiba e o Impacto Ambiental
A área de cultivo da INSOLO localiza-se no coração de Matopiba, uma zona que se destaca pelos alarmantes índices de desmatamento no Cerrado. A Fazenda Serra do Ovo, onde a empresa realiza parte de suas atividades agrícolas, está dentro de um espaço embargado. Imagens de satélite, analisadas pela organização holandesa AidEnvironment a pedido da Repórter Brasil, indicam que a plantação prossegue mesmo sobre a área embargada.
Os registros da AidEnvironment apontam que o uso agrícola continuou após a imposição do embargo em 2023. Esses registros revelam um “reverdecimento” do solo, compatível com práticas de plantio e colheita, sugerindo que a atividade na área embargada não foi completamente cessada.
A Resposta da INSOLO e as Controvérsias Legais
Em contato com a Repórter Brasil, a INSOLO confirmou seu trabalho nas terras associadas à Fazenda Serra do Ovo desde julho de 2025, através de um contrato de parceria rural. Esse tipo de contrato assemelha-se a um arrendamento. A empresa admite que parte de suas operações sobrepõe-se ao polígono embargado, mas alegou desconhecimento sobre a sanção ambiental no momento em que começou seus trabalhos na área. A empresa já acionou o responsável legal pela propriedade para buscar uma possível revisão nos dados ambientais.
A empresa contestou a validade das sanções, afirmando que o embargo registrado refere-se a um terceiro não relacionado ao seu contrato, e que o Cadastro Ambiental Rural (CAR) mencionado não está conectado ao local onde suas operações começaram. Além disso, a INSOLO declarou que o CAR sancionado foi cancelado devido a uma decisão administrativa e que quaisquer dados desatualizados encontrados no portal ambiental se devem à falta de atualização. A declaração completa da empresa pode ser conferida aqui.
Administração Pública e Implicações Futuros
A Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Piauí (Semarh-PI) não disponibilizou informações adicionais além do que foi divulgado publicamente. Contudo, diante das alegações de desatualização feitas pela INSOLO, a Repórter Brasil fez novos questionamentos à Secretaria e aguarda uma resposta oficial.
Histórico de Embargos e Expansão de Atividades
O embargo na Fazenda Serra do Ovo data de novembro de 2023, motivado pela remoção de 1.800 hectares de vegetação nativa sem o devido licenciamento. Esta área faz parte de um coletivo operado inicialmente pela Sierentz Agro Brasil a partir de 2024, antes de a SLC Agrícola adquirir seus direitos. A SLC, por sua vez, esclareceu que suas atividades nunca incorrem em áreas embargadas, e que algumas partes dessas terras foram transferidas para a Terrus, nome empresarial da INSOLO.
Além disso, outro foco de atenção recai sobre a Fazenda Esmeralda, onde o Banco do Nordeste viabilizou um crédito de R$ 63 milhões para cultivo de milho e soja, entre 2022 e 2025. Esta fazenda está envolvida em um conflito de longa data com comunidades Akroá Gamella, enfrentando denúncias de invasão de terras e impactos ambientais adversos.
Timelapse feito pela Aid Environmental mostra “reverdecimento” área embargada desde 2023 (Imagem: Aid Environmental)
Fonte: Repórter Brasil

