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Filme ‘Fiz um Foguete’ Brilha no Olhar de Cinema Curitiba

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Explorando Novos Horizontes com “Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha”

Em um dos palcos mais prestigiados da 15ª edição do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba, o filme “Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha” se destacou intensamente, conquistando os prêmios de Melhor Atuação, graças à brilhante performance de Verônica Cavalcanti e Luciana Souza, além do prestigioso Prêmio Olhar de Melhor Filme. Dirigido pela talentosa Janaína Marques, o longa aborda a complexidade do trauma de uma reconciliação adiada entre mãe e filha, Dalva e Rosa, após anos de afastamento forçado.

Este drama não apenas explora o desejo de resignificar um passado doloroso, mas também ilustra a frustração de uma reconciliação que acontece apenas no imaginário de Rosa. É um retrato sensível da busca incessante por um presente menos sofrido, que acaba se entrelaçando com a dura realidade. Essa relação, por mais ilusória que seja, acende uma centelha de esperança e reconstrução na vida de Rosa.

Intensidade Emocional e Jornada Imaginativa

Durante um exame de ressonância magnética, Rosa (interpretada por Verônica Cavalcanti) é aconselhada a evocar memórias felizes para lidar com o confinamento do aparelho médico. “Pense em uma lembrança feliz. Tente visualizar pelo máximo de tempo possível”, sugere a enfermeira. Mergulhada em dúvidas, Rosa revisita mentalmente momentos pungentes, como uma viagem no interior do Ceará com sua mãe Dalva (vivida por Luciana Souza). Esse reencontro imaginário é libertador, embora a reconciliação se manifeste de forma intensa.

O trajeto surreal que mãe e filha percorrem em um carro decorado como uma inusitada lanchonete móvel ilustra de maneira fantástica essa jornada interior. Ao passar por diversos cenários, Rosa cria um refúgio mental necessário para alguém que merece, mais do que nunca, um alívio das cicatrizes de sua trajetória.

Enfrentando Questões Sociais Urgentes

O filme aborda temas de extrema relevância social, como a violência doméstica e o feminicídio, que impactaram profundamente a vida de Rosa desde a infância. Um episódio crucial ocorre quando Dalva intervém em uma briga de vizinhos para impedir um marido agressor de matar sua esposa. Sua ação heroica resulta em uma acusação de homicídio, levando-a à prisão e forçando Rosa a crescer sem a proteção materna.

Esse ponto crítico na narrativa realça a urgência de discutir o feminicídio de maneira abrangente e profunda. A diretora Janaína Marques e a premiada Verônica Cavalcanti compartilham suas perspectivas em entrevista ao Scream & Yell, delving into the film’s creation process and its profound themes.

Aprofundando a Criação Cinemática

Verônica Cavalcanti: Trabalhar durante a pandemia foi um desafio peculiar. A preparação do elenco, orientada por Armando Praça, aconteceu virtualmente, mas criou entre mim e Luciana uma conexão intensa. Já admirava o trabalho dela, e essa sinergia se desenvolveu naturalmente. Em um período em que o desejo de voltar à ativa era imenso, receber um roteiro tão envolvente foi como encontrar um tesouro. A preparação virtual foi inovadora e poderosa, com exercícios como escrever cartas e cantar músicas mutuamente, discutindo temas femininos e nossas limitações. Em Fortaleza, a conexão criada virtualmente mostrou-se ainda mais forte.

Janaina Marques: A colaboração criativa com Verônica e Luciana foi extraordinária. O roteiro ressoava profundamente no universo feminino, e a compreensão desse território permitiu uma fluidez orgânica no processo criativo. Filmado em um momento de dor e incerteza nacional durante a pandemia, o filme trouxe uma mensagem de cura e resistência, algo que a equipe e o elenco abraçaram com paixão. A rica tradição cultural nordestina também impregnava o projeto, resultando em um trabalho colaborativo e vibrante.

Impacto e Evolução do Roteiro

Janaína Marques: A adaptação do roteiro original de Pedro Cândido e Taís Monteiro levou a uma transformação significativa, incorporando camadas mentais e uma narrativa inovadora. Esse processo de evolução foi impulsionado por consultorias com roteiristas respeitados, que ajudaram a moldar a história de forma a desafiar não só a audiência, mas também a mim, enquanto diretora. O filme abandonou um realismo centrado para adotar uma linguagem cinematográfica que explora profundamente o mundo interior da protagonista, Rosa.

A complexidade do filme, amplificada pela arte cuidadosa e fotografia, busca capturar o inconsciente de Rosa, transformando isso em uma tela vibrante e vibrante. Ele desafia a audiência a buscar significados, engajando-os em uma experiência cinematográfica rica e interativa.

Créditos das fotos:
Luciana Souza, Janaína Marques Verônica Cavalcanti Foto Walter Thoms

Fonte: SCREAM & YELL