A Evolução do Gorillaz: Novas Conexões e Influências
No dia 27 de fevereiro, o aclamado Gorillaz lançará seu nono álbum de estúdio, intitulado The Mountain. A primeira voz que ecoa através deste novo trabalho é a do ator Dennis Hopper, em um registro gravado, onde ele fala calmamente sobre uma rica textura sonora com influências indianas. Os fãs mais atentos irão reconhecer a familiaridade desses vocais, que remetem ao período de gravação do álbum Demon Days, uma das obras-primas da banda de 2005.
Damon Albarn, uma das mentes criativas por trás do grupo, compartilhou pensamentos sobre os temas de The Mountain em uma conversa ao lado de Jamie Hewlett, parceiro de longa data e colaborador visual. Albarn mencionou: “Reunir vozes de pessoas que já faleceram para abordar o tema da morte parecia uma escolha natural, pois elas possuem uma compreensão que eu apenas poderia imaginar.”
Perdas Pessoais e Viagem Transformadora à Índia
A criação desse álbum foi impulsionada por experiências pessoais profundas e marcantes, além de uma viagem inspiradora à Índia que trouxe uma nova perspectiva para os personagens icônicos da banda: Russel (bateria), Murdoc (baixo), Noodle (guitarra) e 2-D (vocal). Enquanto exploravam arquivos antigos, o Gorillaz expandiu sua lista de músicas para incluir uma impressionante variedade de colaboradores, como o lendário afrobeat Tony Allen e o mestre do soul Bobby Womack, e ainda figuras como o pioneiro do rap Dave Jolicoeur (De La Soul).
O trabalho culmina em um álbum que Albarn descreveu como uma continuação espiritual de Plastic Beach, lançado em 2010. Este novo material é um universo próprio, referenciado por Albarn ao citar colaborações passadas com figuras como Lou Reed e Snoop Dogg. O novo trabalho será apresentado ao vivo nos dias 22 e 23 de fevereiro, em espetáculos no Hollywood Palladium, onde os fãs poderão vivenciar The Mountain na íntegra.
Histórias e Culturas Interligadas em Música
A interação cultural sempre foi uma pedra angular para o Gorillaz. Em sua história, a banda tem se destacado por incorporar diversas influências musicais e culturais, e este álbum não é exceção. Artistas contemporâneos como a cantora Asha Bhosle, o jovem rapper argentino Trueno, e Black Thought de The Roots também se unem a este projeto, enriquecendo ainda mais o panorama sonoro da banda.
Além da música, Albarn também está se aventurando em compor para o cinema. Ele está envolvido na criação da trilha sonora de Artificial, uma comédia dramática dirigida por Luca Guadagnino, cuja narrativa explora o surgimento das tecnologias de inteligência artificial. Albarn comenta com humor que agora está compondo “música para o Elon Musk”, fazendo uma referência descontraída ao universo de Star Wars.
Reflexões sobre o Passado e Futuro da Banda
Relembrando a trajetória da banda, Albarn e Hewlett discutem como a reconexão entre eles foi vital para a criação deste álbum. Após a mudança de Hewlett para a França, uma desconexão ocorreu, mas foi superada, especialmente após a viagem significativa à Índia. Após perdas pessoais que ambos sofreram, eles perceberam que o tema central do disco estava surgindo naturalmente diante deles.
A dupla também reflete sobre o crescimento e a recepção da banda ao longo dos anos, tanto em aspectos culturais quanto na resposta do público. Hewlett menciona que a permanência do Gorillaz como uma banda animada atrai continuamente novas gerações que são cativadas primeiro pela arte visual e, em seguida, pela música.
Este ano, além de celebrar o quarto de século da banda, os fãs podem esperar por mais surpresas e eventos, como a exibição imersiva House of Kong em Los Angeles, e possivelmente mais datas de shows nos Estados Unidos. Gorillaz continua a expandir seu legado, explorando novas fronteiras na música e além.
Jamie Hewlett
Fonte: Rolling Stone Brasil

