Grupo Galpão celebra longa parceria com o Festival de Curitiba

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Grupo Galpão e o Festival de Curitiba: Uma Conexão Duradoura

A 34ª edição do Festival de Curitiba teve como destaque a celebração da essência do teatro como uma expressão inerentemente coletiva. Dentro deste contexto, o Grupo Galpão, conhecido pela sua resiliência e capacidade de reinvenção, foi uma das dez companhias convidadas a participar da programação deste ano. A relação entre o Grupo Galpão e o festival curitibano remonta há décadas, e não apenas evidenciou a trajetória da companhia mineira, mas também reforçou o status do evento como um dos mais prestigiosos no cenário das artes cênicas do Brasil.

Em 2026, o grupo de Belo Horizonte atingirá sua 13ª participação no Festival de Curitiba. Nesta edição, eles apresentaram na Mostra Lucia Camargo o aclamado espetáculo “(Um) Ensaio Sobre a Cegueira”, uma adaptação da renomada obra de José Saramago. Esta montagem propõe provocações sobre o estado do mundo atual, indo além de uma simples exibição teatral. O reencontro com Curitiba tem uma dimensão significativa para o Grupo Galpão, como destacado por Eduardo Moreira, um dos fundadores do grupo: “Mantemos uma conexão muito profunda e histórica com o festival. Quando ainda éramos desconhecidos, o Festival de Curitiba foi crucial para aumentar a visibilidade do nosso trabalho.”

A Profunda Ligação entre o Grupo Galpão e o Festival

A história do Grupo Galpão se entrelaça com o Festival de Curitiba desde os primeiros anos de sua existência. Fundado em 1982, em Belo Horizonte, o grupo já marcava presença nas ruas de Curitiba com produções como “A Comédia da Esposa Muda” e “Corra Enquanto é Tempo”, muito antes de obter reconhecimento nacional. O sucesso espetacular de “Romeu e Julieta” nos anos 1990 elevou o Grupo Galpão a um novo patamar, impulsionando sua visibilidade além das fronteiras mineiras. Este espetáculo foi um divisor de águas, permitindo que o Galpão se apresentasse ao público curitibano com praticamente todo o seu acervo até então, como bem lembrou Moreira: “Essa troca com o festival é realmente significativa para nós.”

O teatro não é apenas um palco para apresentação, mas também um espaço de construção coletiva, essencial para a identidade do Grupo Galpão. Ao longo de mais de 40 anos, o grupo cultivou uma abordagem que mistura elementos do teatro popular e erudito, sempre inovando ao colaborar com diversos diretores e experimentar novas estéticas. Eduardo Moreira destaca que esse processo não seguiu um plano definido, mas foi guiado por uma intuição coletiva e a busca constante por continuidade e reflexão dentro do teatro.

Montagens Clássicas com Relevância Atual

Na edição atual do festival, o Grupo Galpão trouxe uma obra que reafirma seu compromisso com o diálogo contemporâneo. “(Um) Ensaio Sobre a Cegueira”, dirigido por Rodrigo Portella, que conquistou o Prêmio Shell 2026 de Melhor Direção, explora as complexidades de uma sociedade à beira do colapso devido a uma epidemia. Esta narrativa distópica ganha novas interpretações e camadas de sentido, especialmente frente às tensões sociais e ameaças constantes à democracia moderna. “A peça se tornou ainda mais pertinente nos dias atuais”, diz Moreira, ressaltando a fragilidade das estruturas civilizacionais.

No palco, “(Um) Ensaio Sobre a Cegueira” se transforma em um espelho do presente, refletindo sobre os limites instáveis entre civilização e barbárie. “Quando as normas sociais se desmantelam, a noção de civilização pode rapidamente desmoronar”, adiciona o ator, aludindo à relevância da peça no contexto atual.

Memória, Presença e Futuro do Grupo Galpão

Esta edição marca uma ocasião especial e, ao mesmo tempo, emocional, pois é a primeira participação do grupo sem a presença da atriz Teuda Bara, uma de suas fundadoras. Ela foi homenageada pela organização ao batizar a sala de imprensa com seu nome, reafirmando seu legado e influência duradoura na história da companhia. Moreira compartilha que, mesmo com a ausência de Teuda, a alegria e o espírito irreverente que ela tanto simbolizava continuam vivos no grupo: “Teuda faz falta, mas seguimos adiante honrando tudo o que ela representa.”

A relação contínua entre o Grupo Galpão e o Festival de Curitiba reafirma o evento como um componente vital na jornada da companhia. Mais do que apenas um palco para apresentações, o festival é parte integrante de uma história de mais de 40 anos, consolidando-se como um espaço de trocas enriquecedoras e memoráveis.

Créditos das fotos:
Reprodução Instagram

Fonte: g1 > Paraná