Guarda Municipal Exonerado Após Morte de Estudante em Curitiba

Atualizado em 23/04/2026
Exoneração do Guarda Municipal Envolvido em Caso de Morte em Curitiba
A administração municipal de Curitiba tomou medidas severas após a morte trágica de Caio José Ferreira de Souza Lemes, um estudante de 17 anos, durante uma abordagem policial. O guarda municipal Edilson Pereira da Silva foi exonerado de seu cargo, uma decisão formalizada na edição do Diário Oficial do município nesta terça-feira, dia 7. Essa decisão ocorre em meio a controvérsias e debates sobre as circunstâncias que levaram à morte do jovem.
O Incidente e as Denúncias
O fatídico incidente ocorreu em março de 2023 e gerou grande repercussão. Segundo o Ministério Público do Paraná (MPPR), Caio estava em posição de rendição, ajoelhado e com as mãos sobre a cabeça, quando foi atingido por um disparo na nuca. No entanto, Edilson Pereira da Silva alegou em seu relato inicial que agiu em legítima defesa, afirmando ter sido ameaçado por Caio com uma faca. Essa versão dos eventos foi contradita por outro guarda presente no momento da abordagem.
Processo Administrativo e Decisões Disciplinares
A Secretaria de Defesa Social e Trânsito de Curitiba, responsável pela Guarda Municipal, instaurou um processo administrativo envolvendo os três agentes que participaram da operação. Após a conclusão deste procedimento, Edilson foi oficialmente demitido, enquanto outro guarda, Edmar Júnior, recebeu uma suspensão de 90 dias. Anderson Bueno, o terceiro envolvido, optou por um Termo de Ajustamento Disciplinar. A secretaria enfatiza que as esferas administrativa, civil e penal atuam de forma independente.
A Perspectiva da Defesa e as Criticas ao Processo
Os advogados de Edilson, Rodrigo Cunha e Caio Percival, criticaram a exoneração, classificando-a como “incorreta e prematura”. Eles destacam que a audiência de instrução da ação penal ainda não foi realizada, estando marcada para 31 de julho de 2026, e que o processo judicial não coletou todos os depoimentos e provas necessárias. Para a defesa, a decisão administrativa viola o devido processo legal e a presunção de inocência, uma vez que os fatos investigados são os mesmos em ambas as esferas.
O Impacto na Família da Vítima e as Consequências Legais
Enquanto a defesa do guarda busca reverter a decisão administrativa via mandado de segurança, a família de Caio continua a lidar com a dor da perda irreparável. O advogado da família, André Romero, afirmou que a demissão do guarda representa um reconhecimento da gravidade dos atos cometidos e uma reafirmação de que agentes públicos devem atuar dentro da legalidade. Entretanto, ele reconhece que nenhuma medida pode compensar a perda sofrida.
O processo criminal contra Edilson Pereira da Silva avança, com o MPPR apresentando denúncias de homicídio doloso qualificado. A alegação é de que o guarda agiu por motivo fútil e com recursos que dificultaram a defesa de Caio. Além disso, outro guarda foi acusado de fraude processual, por supostamente ter alterado a cena do crime após o disparo fatal.
Em relatos adicionais, Anderson Bueno deu uma versão alternativa dos eventos, sugerindo que Caio não era o alvo inicial da operação e que o incidente pode ter ocorrido devido à abordagem conduzida pela equipe. A narrativa oficial dos guardas se torna ainda mais contestada pelo depoimento de Bueno, que nega a presença de uma faca com Caio, afirmando que o objeto estava no local desde apreensões anteriores.
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Fonte: g1 > Paraná