Impacto do Acordo UE-Mercosul no Mercado de Vinhos
O tratado comercial entre a União Europeia e os países integrantes do Mercosul, que inclui Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, foi formalizado em Assunção no dia 17 de janeiro, um sábado. A assinatura deste acordo por representantes dos dois blocos econômicos promete mudar o cenário competitivo dos vinhos no Brasil. Com a nova aliança, os vinhos importados do continente europeu passarão a competir, em termos de preços, com os rótulos dominantes oriundos da Argentina e do Chile no mercado brasileiro.
Redução de Tarifas e Diversificação do Paladar Brasileiro
O acordo estabelece que, ao longo de dez anos, a tarifa de importação de 27% aplicada sobre os vinhos europeus será completamente eliminada. Essa mudança é esperada para aumentar a presença e o consumo de vinhos de diferentes origens europeias, como Portugal, Espanha, Itália e França, entre outros. Atualmente, é importante destacar que dois terços do vinho consumido no Brasil são provenientes dos países do Mercosul, aproveitando-se das vantagens tarifárias dentro do bloco. Segundo Pedro Oliveira, diretor da importadora Porto a Porto, a abertura do mercado a esses novos rótulos trará uma grande variedade ao consumidor brasileiro, aprimorando o gosto nacional e proporcionando novas experiências de harmonização culinária.
Europa e Mercosul: uma Parceria Comercial Significativa
No panorama comercial, a União Europeia se destaca como o segundo maior parceiro do Mercosul no que se refere ao comércio de bens. Em 2024, a participação da UE abrangeu quase 17% do comércio total do Mercosul, com transações que superaram R$ 690 bilhões. Deste valor, R$ 345 bilhões corresponderam às exportações da UE e R$ 350 bilhões às importações. Desde 2014, esse comércio cresceu mais de 36%, ressaltando a importância dessa relação bilateral. Para vinícolas europeias, como a portuguesa João Portugal Ramos, o Brasil é visto como um mercado de grande relevância. O tratado promete facilitar ainda mais a entrada de vinhos portugueses no país, tornando-os mais competitivos e acessíveis.
Desafios e Precauções no Cenário Vinícola Brasileiro
No entanto, algumas preocupações persistem. Oliveira expressa receio quanto à potencial entrada de vinhos a granel de qualidade inferior no mercado brasileiro, o que pode prejudicar a competitividade dos produtores nacionais. Esse cenário levanta a necessidade de um processo de adaptação cuidadoso, com a implantação de medidas que protejam a produção local. As mudanças devem ser graduais para evitar confusões e proteger setores específicos da economia vinícola brasileira.
Mais que Vinhos: Outros Produtos no Radar do Acordo
A abrangência do acordo vai além dos vinhos, prometendo também benefícios para outros produtos gastronômicos, como o azeite de oliva e massas de grano duro. Com a redução progressiva de tarifas, esses produtos ganharão competitividade adicional no mercado interno brasileiro. Por exemplo, o azeite de oliva, que atualmente enfrenta uma taxa de 10%, e as massas de grano duro, com uma taxa de 16%, terão suas tarifas eliminadas nos próximos 10 a 15 anos. Contudo, Oliveira pontua que o impacto dessas mudanças pode ser restrito, uma vez que o mercado de massas de grano duro ainda representa uma pequena fatia do mercado alimentar brasileiro.
Para a Porto a Porto, que já possui um portfólio robusto de marcas, a estratégia será focada em fortalecer a presença em restaurantes, bares e pequenos negócios, assegurando uma posição competitiva no mercado de distribuição. A meta é clara: adotar-se à nova realidade e aproveitar as oportunidades surgidas com o livre comércio estabelecido entre a União Europeia e o Mercosul.
Porto Porto
Fonte: g1 > Paraná

