Itália Investiga Importação de Ouro Ilegal do Brasil e Refinarias Envolvidas

Atualizado em 23/04/2026
Preocupações na Itália Sobre Importações de Ouro Ilegal do Brasil
Parlamentares italianos estão pressionando o governo liderado por Giorgia Meloni para fornecer esclarecimentos sobre as medidas tomadas contra a importação de ouro oriundo do Brasil que apresenta indícios de ilegalidade. A demanda surge após uma série de reportagens da Repórter Brasil revelarem que refinarias italianas adquiriram ouro de empresas suspeitas de envolvimento com mineração ilegal na Amazônia.
Questionamento Parlamentar e Medidas Sugeridas
No dia 31 de março, o deputado Angelo Bonelli, da coalizão Alleanza Verdi e Sinistra, apresentou uma Pergunta Parlamentar formal, documento técnico que faz parte do processo legislativo, endereçada a vários ministros italianos. A questão, que recebeu o apoio de outros sete legisladores da mesma aliança, solicita explicações sobre a eficácia das ferramentas atuais de rastreamento e verificação da Itália no combate ao risco de importação de ouro vinculado a crimes ambientais e falsificação de documentos.
Refinarias Italianas Sob Investigação
Em junho de 2025, surgiu um relatório destacando que a refinaria italiana Italpreziosi havia comprado ouro de um importador investigado por um esquema de extração ilegal em Itaituba, situado no sudoeste do estado do Pará. Relatórios policiais indicam que empresas brasileiras emitiam notas fiscais falsas, até em nome de pessoas falecidas, para disfarçar a origem do ouro, parte do qual era extraído de áreas de mineração ilegal na Terra Indígena Munduruku.
No ano anterior, em maio de 2024, uma remessa de 5 quilos de pó de ouro, camuflada em 15 toneladas de carvão, foi comprada pela refinaria Safimet, especializada em metais preciosos. Ao encontrar o ouro não declarado na carga, a Receita Federal no Porto de Santos bloqueou a exportação para a Itália. Apesar de o ouro representar apenas 0,03% da carga, seu valor poderia ter alcançado R$ 1,9 milhão, quase três vezes o valor do carvão declarado.
Três anos antes, a refinadora Chimet, baseada na Toscana, foi identificada pela polícia como compradora de ouro extraído de forma ilegal da Terra Indígena Kayapó. A Operação Terra Desolata, conduzida pela Polícia Federal do Brasil, revelou que a Chimet fazia parte do círculo de fornecedores de grandes empresas de tecnologia como Apple, Google e Microsoft.
Abertura de Investigações e Reações
Em dezembro de 2025, o Ministério Público Federal do Amazonas iniciou uma investigação para examinar as ações do Estado e de órgãos como a Agência Nacional de Mineração na fiscalização da exportação irregular de ouro. Embora as refinarias italianas não sejam alvo direto da investigação, as acusações acumuladas levaram a uma busca por explicações sobre as medidas que países como Itália e Suíça estão tomando para evitar a entrada de ouro ilegal da Amazônia.
No mês de março deste ano, o MPF encaminhou um pedido de esclarecimento à embaixada italiana em Brasília, além das embaixadas de Suíça, Bélgica e Reino Unido, questionando se o governo italiano está ciente desse pedido.
Questões Não Respondidas e Arquivamento de Denúncias
Embora os ministros tenham um prazo de 20 dias para responder à Pergunta Parlamentar, nem sempre isso ocorre. Em muitos casos, as questões parlamentares podem ficar sem resposta por anos, como aconteceu com uma questão similar apresentada em 2022. Nesse contexto, em fevereiro de 2022, o deputado Angelo Bonelli também apresentou uma denúncia formal ao Ministério Público em Arezzo, pedindo a investigação das alegações da Polícia Federal do Brasil contra a Chimet.
A denúncia foi arquivada pelo Ministério Público de Arezzo em maio de 2022, classificada como “fatti non costituenti reato” (“fatos não constituem crime”). Bonelli, ao ser informado sobre o arquivamento, destacou as dificuldades de rastrear a origem do ouro quando ele chega à Itália com a documentação formal do Brasil, alertando que a Europa ainda precisa intensificar os controles sobre materiais provenientes de regiões de alto risco.
Aerial view gold mining area the municipality Itaituba, southwestern Pará, the Brazilian Amazon (Photo: Fernando Martinho/Repórter Brasil)
Fonte: Repórter Brasil