Motorista Embriagada Condenada por Atropelar Motoboy em Curitiba

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Atualizado em 24/04/2026

Motorista Embriagada Condenada por Acidente Grave em Curitiba

O Tribunal de Justiça do Paraná proferiu uma condenação significativa contra Cassiane Aparecida Araújo Aires, a motorista que, sob a influência de álcool, atropelou gravemente o motoboy Mozart Pavoni em Curitiba. Este incidente ocorreu em uma noite de junho de 2021, precisamente no cruzamento entre a Rua Nunes Machado e a Avenida Sete de Setembro, no bairro Rebouças. Imagens capturadas por câmeras de segurança revelaram que Cassiane, em um ato ilegal, atravessou uma faixa exclusiva destinada a ônibus, invadiu a calçada e colidiu com o motoboy.

Detalhes da Acusação e Condenação

Após o atropelamento, Cassiane não interrompeu sua deslocação para prestar assistência a Mozart, que estava prestes a concluir sua última entrega daquela noite. Devido à gravidade de suas lesões, Pavoni precisou de hospitalização e enfrentou um rigoroso processo de recuperação que envolveu 22 fraturas e a realização de oito cirurgias. Na sentença, o tribunal estabeleceu uma pena de dois anos de reclusão em regime inicial aberto para Cassiane, além da suspensão de sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH) por dois meses e 11 dias.

A juíza Shaline Zeida Ohi Yamaguchi, ao emitir a sentença, considerou a acusação de lesão corporal culposa, destacando a embriaguez ao volante como um agravante significativo. A sentença sublinha que o desastre poderia ter sido evitado se a motorista tivesse respeitado as normas de trânsito e não dirigisse sob o efeito de álcool.

Disputa Jurídica e Implicações do Caso

Embora Cassiane tenha sido absolvida da acusação de omissão de socorro, a juíza argumentou que nem ela, nem os passageiros no veículo, perceberam o impacto com o motoboy. Assim, não houve intento de fuga para escapar da responsabilidade, segundo a decisão judicial. A advogada de defesa, Thaise Mattar Assad, expressou satisfação com a decisão, descrevendo-a como equilibrada e justa, evitando um julgamento no Tribunal do Júri.

No entanto, o Ministério Público do Paraná demonstrou insatisfação com a sentença, anunciando a intenção de recorrer. A promotoria busca aumentar a pena e incluir a acusação de omissão de socorro, além de considerar os potenciais riscos acrescidos para outras pessoas envolvidas no ocorrido.

Anteriormente, em abril de 2022, havia uma decisão que previa que Cassiane enfrentasse um júri popular, acusada de tentativa de homicídio com dolo eventual e omissão de socorro. Mas, em março de 2025, a Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou que essa audiência não era cabível. A ministra Daniela Teixeira destacou que problemas na sinalização contribuíram para o erro, caracterizando o caso como imprudência.

A decisão levou em conta que não havia provas suficientes sobre a velocidade da motorista no momento do acidente. Assim, a configuração de dolo eventual, que requer prova concreta de intenção, não foi aceita. A Superintendência de Trânsito da Prefeitura de Curitiba afirmou não ter tido acesso ao parecer técnico sobre os supostos problemas de sinalização.

No rescaldo do acidente, Mozart Pavoni reinventou-se profissionalmente. Após deixar sua antiga ocupação de motoboy, formou-se em Educação Física e agora utiliza sua experiência para ajudar outras vítimas de trânsito em sua recuperação. Carregando consigo as cicatrizes físicas e emocionais do acidente, Pavoni continua a enfrentar limitações físicas, mas se empenha em proporcionar dignidade e suporte para aqueles que atravessam desafios semelhantes.

Créditos das fotos:
Reprodução Instagram

Fonte: g1 > Paraná