O Papel Crucial dos Fotógrafos no Festival de Curitiba

Atualizado em 23/04/2026
Transformando o Efêmero em Memória: O Papel dos Fotógrafos no Festival de Curitiba
No coração do Festival de Curitiba, enquanto os atores afinam cada palavra e os técnicos ajustam meticulosamente a iluminação e o cenário, um grupo especial trabalha em silêncio, capturando a essência passageira das apresentações. São os fotógrafos, cujos olhares atentos têm a responsabilidade de converter o efêmero dos espetáculos teatrais em registros permanentes para a posteridade.
Entre esses profissionais dedicados estão duas figuras proeminentes: Annelize Tozetto, que atua como curadora e coordenadora de fotografia do evento há 16 anos, e Lina Sumizono, que tem sua presença marcada desde 17 edições passadas. Ambas desempenham um papel fundamental na cronologia visual do festival, assegurando que cada peça se eternize através de suas lentes.
O Desafio de Capturar o Imprevisível
Fotografar espetáculos é um desafio único, distinto de outras formas de cobertura fotográfica. Artistas como Lina Sumizono descrevem essa experiência como um mergulho no desconhecido, onde a previsibilidade é rara e a habilidade de reagir em frações de segundo é essencial. “Na maioria das vezes, nosso primeiro contato com a obra ocorre no momento em que entramos no teatro”, observa Sumizono. Esta dinâmica traz consigo um exercício contínuo de percepção e criatividade, onde a intenção é capturar a luz, a cenografia e a emoção, preservando a experiência genuína do público.
Para Annelize Tozetto, este elemento de surpresa também foi fundamental em sua carreira. Desde que se juntou à equipe em 2010, pouco depois de concluir seus estudos em Jornalismo, o festival redefiniu seu caminho profissional e sua compreensão sobre fotografia de espetáculos. “Aprendi tudo sobre o jogo de luzes e fotografia de palco através do festival. Ele verdadeiramente transformou minha vida e carreira”, declara Tozetto.
Um Ritmo Intenso e Colaborativo
O processo de captura e edição das fotografias durante o festival é um esforço que combina velocidade e cooperação. Em um período de duas semanas, uma equipe de dez fotógrafos trabalha incansavelmente para garantir que as imagens das performances noturnas estejam prontas ao amanhecer seguinte.
Annelize explica que os ajustes e edições ocorrem durante a madrugada, criando um ambiente intenso porém energizante. “É uma experiência exaustiva, mas somos apaixonados por aquilo que fazemos. É uma imersão total”, comenta. Este trabalho coletivo prospera devido à sintonia entre os membros da equipe, muitos dos quais colaboram juntos há anos, resultando em uma narrativa visual coerente sobre o festival.
Exposição “Entreolhares”: Uma Janela para o Passado e Futuro do Evento
Esta dedicação resulta em algo mais do que simples registros visuais; ela constrói uma memória coletiva do festival. Mais de 80 imagens das últimas quatro edições agora estão em exibição na mostra “Entreolhares: narrativas visuais do Festival de Curitiba”, em cartaz no Centro Cultural da PUC-PR. Annelize, como curadora, escolheu o “encontro” como tema central da exposição, ressaltando as interações entre artistas, audiência e os profissionais que trabalham nos bastidores.
Uma parte marcante desta construção visual é o retorno a eventos presenciais após os desafios da pandemia de Covid-19, um detalhe significativo que a exposição destaca. Somente na edição de 2023, a equipe oficial produziu mais de 16 mil imagens, um testemunho do volume de trabalho e da subsequente triagem detalhada necessária para uma seleção tão cuidadosa.
A Natureza Efêmera do Teatro Preservada em Imagens
As fotografias do festival transcendem a mera captura técnica; elas formam uma crônica histórica que documenta mudanças nas artes cênicas e no público ao longo dos anos. Annelize enfatiza que essas imagens refletem um esforço coletivo, um produto da combinação de muitos talentos — do ator ao cenógrafo —, que juntos tornam a fotografia de teatro uma verdadeira construção conjunta.
Para aqueles interessados em explorar esta perspectiva única, a exposição segue até 26 de maio. Com entrada gratuita, oferece uma visão excepcional do festival, vista através dos olhos daqueles que têm a habilidade de transformar o efêmero em uma memória duradoura.
Detalhes do Evento e Informações Práticas
O público interessado em vivenciar esta perspectiva diferenciada pode visitar a exposição “Entreolhares” no Centro Cultural da PUC-PR, situado na Rua Imaculada Conceição, 1155 – Prado Velho. A mostra permanece aberta até 26 de maio, oferecendo entrada gratuita.
O 34.º Festival de Curitiba ocorrerá de 30 de março a 12 de abril de 2026, com ingressos variando de R$00 a R$85, além das taxas administrativas. As entradas podem ser adquiridas pelo site oficial do festival ou na bilheteria física exclusiva do Shopping Mueller. Para mais informações, recomenda-se verificar a classificação indicativa e orientações de cada espetáculo, além dos descontos especiais disponíveis para colaboradores de empresas apoiadoras, clubes de desconto e associações.
Jornal Nacional
Fonte: g1 > Paraná