Após 12 anos de espera, o Pierce The Veil voltou a Curitiba no último domingo, 14 de dezembro, para um show muito aguardado na Live Curitiba. A apresentação marcou não só o retorno da banda à cidade, mas também um reencontro emocional com fãs que acompanham o grupo desde os primeiros discos. A noite teve como banda de abertura o Health e, como atração principal, o Pierce The Veil, em um evento que conseguiu unir diferentes estilos, gerações e expectativas em um mesmo espaço. Além disso, o show em Curitiba teve um peso especial: foi o penúltimo show da turnê “I Can’t Hear You World Tour”, que se encerra na terça-feira, 16/12, em São Paulo.

Desde cedo, o clima ao redor da casa já mostrava que seria uma noite diferente. Filas longas, camisetas antigas da banda dividindo espaço com modelos mais recentes e um público claramente diverso ajudaram a criar uma atmosfera de expectativa. Havia quem estivesse ali revivendo memórias de mais de uma década atrás e quem estivesse vendo o Pierce ao vivo pela primeira vez. Essa mistura de gerações acabou sendo um dos aspectos mais interessantes do evento e deu o tom de toda a noite dentro da Live Curitiba.
Formado em 2006, na Califórnia, o Health é uma banda conhecida por transitar entre o rock experimental, o industrial e a música eletrônica, criando um som pesado, intenso e, ao mesmo tempo, minimalista. O grupo surgiu na cena alternativa de Los Angeles e construiu sua identidade apostando em texturas sonoras densas, batidas marcantes e vocais que fogem do padrão tradicional. Atualmente, o Health é formado por Jake Duzsik (vocal), John Famiglietti (baixo) e BJ Miller (bateria).
Ao longo da carreira, a banda ganhou reconhecimento justamente por não seguir fórmulas prontas e por dialogar com diferentes linguagens artísticas, incluindo trilhas sonoras e colaborações com outros músicos. Entre seus trabalhos mais conhecidos estão faixas como “DSM-V”, “Major Crimes”, “Feel Nothing” e “Hateful”, músicas que ajudam a entender bem a proposta sonora do grupo: direta, crua e muitas vezes inquietante.
O show do Health foi uma surpresa positiva para grande parte do público. Mesmo quem não conhecia a banda acabou sendo capturado pela apresentação. Com um palco mais escuro, iluminação bem trabalhada e uma postura intensa dos integrantes, o trio apresentou um show totalmente fiel ao seu estilo. O som alto, as batidas fortes e o clima quase hipnótico fizeram com que muitas pessoas, inicialmente curiosas, passassem a acompanhar a apresentação com atenção total. Foi um show que prendeu o público justamente por não tentar agradar a todos, mas por apresentar uma identidade clara e bem definida.
- Set list – Health
- IDENTITY
- HATEFUL
- CRACK METAL
- Be Quiet and Drive (Far Away) (Deftones cover)
- ORDINARY LOSS
- MAJOR CRIMES
- FEEL NOTHING
- DSM‐V
Com o fim do show do Health, a expectativa pelo Pierce The Veil cresceu ainda mais. Fundada também em 2006, mas em San Diego, a banda se tornou um dos principais nomes do post-hardcore mundial ao longo dos anos. Atualmente, o grupo é formado por Vic Fuentes (vocal e guitarra), Tony Perry (guitarra) e Jaime Preciado (baixo). A banda construiu uma base de fãs extremamente fiel, muito ligada às letras emocionais, aos riffs marcantes e à forma intensa como as músicas são apresentadas ao vivo.
Entre os principais sucessos do Pierce The Veil estão “King for a Day”, “Bulls in the Bronx”, “Hell Above”, “Circles” e “Hold On Till May”, faixas que marcaram diferentes fases da carreira e ajudaram a consolidar a identidade da banda. Mesmo com o passar dos anos, mudanças na formação e períodos de pausa, o Pierce conseguiu se manter relevante e, mais do que isso, conquistar uma nova geração de fãs.

Essa renovação ficou muito clara no show em Curitiba. Um dos pontos mais marcantes da noite foi ver como a banda conseguiu unir fãs antigos e fãs novos em um mesmo espaço. A presença de muita gente jovem na pista chamou a atenção e surpreendeu quem acompanha o grupo desde o início. Era comum ver adolescentes cantando músicas lançadas antes mesmo de eles nascerem, enquanto fãs mais antigos observavam essa cena com entusiasmo. Essa troca entre gerações ajudou a reforçar a sensação de que o Pierce The Veil continua vivo e atual.
Quando a banda finalmente subiu ao palco, a resposta do público foi imediata. A energia se espalhou tanto no palco quanto na pista, criando uma sinergia constante entre banda e plateia. Vic Fuentes se mostrou confortável, comunicativo e muito entregue, conduzindo o show com intensidade emocional. Tony Perry e Jaime Preciado garantiram uma base sólida, com peso, precisão e presença de palco, sustentando o ritmo do show do começo ao fim.
O repertório foi bem equilibrado, passando por músicas mais recentes e por clássicos que o público esperava ouvir. Houve momentos de explosão, com rodas se abrindo na pista, e outros mais emocionais, com a plateia cantando em coro. Os pontos altos ficaram por conta de “Hell Above”, que elevou a energia da casa, “Circles”, cantada do início ao fim pelo público, e principalmente “King for a Day”, quando se abriu a maior roda da noite e o show foi encerrado em clima de êxtase coletivo.
- Set list – Pierce The Veil
- Death of an Executioner
- Bulls in the Bronx
- Pass the Nirvana
- I’m Low on Gas and You Need a Jacket
- I’d Rather Die Than Be Famous
- Yeah Boy and Doll Face
- She Makes Dirty Words Sound Pretty
- I Don’t Care If You’re Contagious
- Wonderless
- May These Noises Startle You in Your Sleep Tonight
- Hell Above
- Emergency Contact
- Circles
- Disasterology
- Hold On Till May
- King for a Day
O show em Curitiba também ganhou um significado especial por fazer parte da reta final da “I Can’t Hear You World Tour”, a vigésima terceira turnê do Pierce The Veil. A turnê começou em 13 de maio de 2025, em Charlotte, na Carolina do Norte, e percorreu diversas cidades, reunindo públicos de diferentes países. Curitiba recebeu o penúltimo show da turnê, enquanto o encerramento acontece em São Paulo, na terça-feira, 16/12.
Depois de 12 anos, o retorno do Pierce The Veil a Curitiba foi mais do que um simples show. Foi um reencontro cheio de significado, que mostrou a força da banda, a renovação do público e a capacidade da música de criar conexões que atravessam o tempo. Uma noite intensa, barulhenta e memorável para quem esteve presente.
Fotos por Marco Guezi.


