Prisão de Suspeito em Caso de Homicídio de 2006 em Curitiba

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Atualizado em 24/04/2026

Novas Evidências Levam à Prisão de Suspeito em Caso de Homicídio na Região Metropolitana de Curitiba

Após quase duas décadas desde o brutal assassinato da menina Giovanna dos Reis Costa, novas evidências e relatos surgiram, levando à prisão de Martônio Alves Batista, de 55 anos. Giovanna, que tinha apenas nove anos na época, desapareceu em abril de 2006 em Quatro Barras, uma cidade situada na Região Metropolitana de Curitiba. Seu corpo foi macabramente encontrado em um terreno baldio, coberto por sacos plásticos e amarrado com fios elétricos, apresentando sinais de violência sexual.

Reabertura das Investigações com Novos Depoimentos e Provas

A reabertura do caso trouxe à tona novos testemunhos que implicam Martônio. Anteriormente, em 2012, o caso havia sido arquivado após três suspeitos terem sido julgados e absolvidos por falta de provas. A recente prisão preventiva de Martônio em Londrina, no norte do Paraná, foi resultado direto do depoimento de uma ex-enteada. Ela alegou ter sofrido abuso sexual por parte de Martônio e mencionou que ele fazia referências ameaçadoras à morte de Giovanna.

A defesa de Martônio, representada pelo advogado Eduardo Caldeira, afirmou que estão sendo levantados pontos técnicos para apresentar à Justiça, destacando a importância de fundamentações atuais e concretas em casos de prisão preventiva.

Reconstruindo a Cena do Crime: Provas Materiais e Contexto

Durante as investigações em 2006, Martônio, então vizinho da vítima, foi considerado suspeito quando as roupas de Giovanna foram descobertas a uma curta distância de sua residência. A sacola plástica que continha os objetos tinha a marca de um mercado distante da cena do crime. Investigadores determinaram posteriormente que o mercado não estava nas proximidades imediatas, mas próximo ao endereço do ex-marido da mulher que era casada com Martônio na época.

O ex-marido confirmou frequentar o mercado para compras e usava suas sacolas para transportar pertences de seu filho, que passava tempo com ele regularmente. Essa informação se integrou às evidências que ligavam a sacola ao local onde Giovanna foi encontrada.

Detalhes Perturbadores e Revelações de Violência Doméstica

Testemunhas revelaram que Martônio, num ato de violência doméstica e ameaças, frequentemente zombava do assassinato de Giovanna. Ele teria se vangloriado de como havia driblado a polícia, afirmando que os investigadores eram “idiotas”, pois as provas estavam “na cara deles”. A reabertura do caso revelou que o fio que amarrava o corpo de Giovanna era idêntico a um rolo encontrado na casa de Martônio.

Outras ex-parceiras de Martônio foram ouvidas pela polícia e relataram que, na época do crime, a então esposa dele teria sido obrigada a limpar a residência para eliminar qualquer vestígio do assassinato. Em confissão a uma delas, Martônio teria descrito ter atraído Giovanna prometendo dinheiro para comprar uma rifa, antes de atacá-la dentro de sua casa.

Denúncias e Prisões Anteriores: Um Histórico de Ameaças e Abuso

A prisão de Martônio em 2018, após ser flagrado instalando câmeras em um banheiro feminino de sua pastelaria, trouxe novo fôlego ao caso. Nessa ocasião, sua ex-enteada reconheceu-o nas reportagens, levando-a a revelar os abusos que sofreu entre os 11 e 14 anos. Ela disse ter sido ameaçada de que se falasse, teria o mesmo destino trágico de Giovanna.

Durante as investigações reabertas, descobriu-se que falsas acusações contra três ciganos, baseadas em objetos de leitura de tarô encontrados em sua residência, levaram a prisões equivocadas por supostos rituais satânicos. Essa linha investigativa foi posteriormente descartada, mas somente após um longo período de injustiça.

Martônio agora enfrenta acusações graves que incluem homicídio qualificado, seguido de ocultação de cadáver e estupro de vulnerável, enquanto as autoridades continuam a investigar outros potenciais casos de abuso sexual em seu nome.

Créditos das fotos:
Globo

Fonte: g1 > Paraná